A NOVA ERA
Danilo Carvalho Villela*
Colaborador
O conhecimento de que o homem dispõe acerca da Criação e das Leis
Divinas é, naturalmente, progressivo e diferenciado variando em
função de tempo e local, podendo encontrar-se na atualidade pessoas
cujas ideias, nesse terreno, aproximam-nas das comunidades
primitivas com seus conceitos toscos e fantasiosos.
A apresentação das questões centrais da religião: Deus Criador,
nossa natureza espiritual e um mecanismo de justiça que nos devolve
a consequência de nossos atos tem-se aprimorado – tornando-se mais
simples e coerente – nas diferentes escolas de fé, que abandonaram
também, gradualmente, as formas mais materializadas de culto.
Deve-se reconhecer, por outro lado, que a par das diferenças que
decorrem das características culturais dos povos em que surgiram, há
também, dentro de cada corrente religiosa, níveis variados de
entendimento e comprometimento quanto ao seu próprio conteúdo, aí
incluídas suas diretrizes morais.
Até época historicamente recente, o isolamento quase que completo
entre as diferentes manifestações de crença permitiu que se
acentuasse uma atitude de desconfiança e até de hostilidade entre
elas, situação que somente começou a modificar-se a partir do século
XIX, com as primeiras
afirmações de respeito pela liberdade de consciência, quando também
a ampliação do intercâmbio comercial e cultural entre os diversos
continentes permitiu um melhor conhecimento dos costumes e
tradições, inclusive religiosas, entre todos os povos. É
interessante lembrar-se, a propósito, que nos contatos e até na
convivência que assim se estabeleceu houve permuta de informações e
experiências, processo esse pelo qual a tecnologia e o governo
representativo, surgidos no ocidente cristão, foram levados a outras
partes por oferecerem benefícios concretos aos que passaram a
adotá-los, sem esquecermos as composições dos grandes gênios da
música, hoje universalmente conhecidas e admiradas.
Com o Espiritismo, também surgido no âmbito da cultura ocidental,
tornou-se possível abordar com objetividade a temática religiosa,
que deixou de constituir-se de artigos de fé passando a referir-se a
fatos observáveis e a informações submetidas ao controle da razão,
beneficiada, além disso, a prática religiosa, pela ausência de
distorções habitualmente impostas pela institucionalização, graças
ao modelo organizacional não-hierarquizado e não profissional por
ele adotado.
A nova era a que os orientadores espirituais se referem desde a
Codificação não significa, por certo, a conversão de toda a
Humanidade ao Espiritismo tal como o praticamos, mas a
generalização, que ele favorece, do conhecimento acerca da vida
espiritual, da reencarnação e do progresso
como disposições naturais, inscritas na própria vida, como as da
biologia e da astronomia, com a consequente alteração que a certeza
de tais realidades produz no comportamento individual e coletivo,
levando os homens a sentirem-se membros da grande família humana em
marcha para a vivência cada vez mais completa das Leis Divinas.
“O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 1, item 9)
*Diretor do SEI – n° 2144 – Federação Espírita do Estado de
Sergipe – Fone: 3249-2896 – Site:
www.fees@org.br – E-mail:
fees@infonet.com.br
OBS. Artigo publicado no Jornal CINFORM edição n° 1371 de 27 de
julho a 02 de agosto de 2009
ALIENAÇÃO
MENTAL
Serviço Espírita de Informação
*
Colaborador
A novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo, tem mostrado o drama
dos portadores de esquizofrenia e seus familiares, que nem sempre
conseguem lidar ou aceitar de pronto o problema, o que pode
dificultar até mesmo o tratamento. Tudo isso tem ajudado a chamar a
atenção do público não só para a questão da esquizofrenia como
também para os assuntos que envolvem a saúde mental de um modo
geral, já que, vez por outra, pacientes com outros tipos de
patologias da mente são também apresentados na
novela desenvolvendo atividades terapêuticas, como pintura, por
exemplo, em uma instituição de tratamento, amparados por
profissionais amorosos e dedicados.
Sob o ponto de vista espiritual, toda e qualquer disfunção, de ordem
física ou mental, pode encontrar sua gênese no passado. É o que
esclarece o benfeitor Emmanuel, no livro “Religião dos Espíritos”
(edição FEB), psicografado por Chico Xavier, onde dedica um capítulo
inteiro à “Alienação mental”.
“Enquanto o vício se nos reflete no corpo, os abusos da consciência
se nos estampam na alma, segundo a modalidade de nossos
desregramentos. É assim que atravessam as cinzas da morte, em
perigoso desequilíbrio da mente, quantos se consagraram no mundo à
crueldade e à injustiça, furtando a segurança e a felicidade dos
outros.
Fazedores de guerra que depravaram a confiança do povo com
peçonhento apetite de sangue e ouro, legisladores despóticos que
perverteram a autoridade, magnatas do comércio que segregaram o pão,
agravando a penúria do próximo, profissionais do direito que
buscaram torturar a verdade em proveito do crime, expoentes da usura
que trancafiaram a riqueza coletiva necessária ao progresso,
artistas que venderam a sensibilidade e a cultura, degradando os
sentimentos da multidão, e homens e mulheres que trocaram o templo
do lar pelas aventuras da deserção, acabando no suicídio ou na
delinquência, encarceram-se nos vórtices da loucura, penetrando,
depois, na vida espiritual como fantasmas de arrependimento e
remorso, arrastando consigo as telas horripilantes da culpa em que
se lhes agregam os pensamentos.
E a única terapêutica de semelhantes doentes é a volta aos berços de
sombra em que, através da reencarnação redentora, ressurgem no vaso
físico – cela preciosa de tratamento –, na condição de
criançasproblemas
em dolorosas perturbações” – esclarece Emmanuel, que encerra suas
explicações com palavras de estímulos àqueles que possuem em suas
vidas pessoas temporariamente em processo de rearmonização mental.
“Todos vós, desse modo, que recebestes no lar anjos tristes, no
eclipse da razão, conchegai-os com paciência e ternura, porquanto
são, quase sempre, laços enfermos de nosso próprio passado,
inteligências que decerto auxiliamos irrefletidamente a perder e
que, hoje, retornam à concha de nossos braços, esmolando
entendimento e carinho, para que se refaçam, na clausura da inibição
e da idiotia, para a bênção da liberdade e para a glória da luz” –
conclui.
*Fonte: SEI n° 2147 – Federação Espírita do Estado de Sergipe –
Fone: 3249-2896 – Site:
www.fees.org.br - E-mail:
fees@infonet.com.br
Coluna no Jornal CINFORM - Ano XXV - Edição 1370 - 13 a 19 de
julho de 2009
RELIGIÃO E PROGRESSO
Danilo CarvalhoVillela*
Colaborador
Surgindo sempre em um determinado contexto histórico e social, as
religiões mostram em seus textos básicos os sinais da época e do
local em que se constituíram, apresentando, por isso, ao lado de
pontos comuns (um poder criador supremo, nossa natureza espiritual,
um mecanismo de justiça definindo nossa situação após a morte),
diferenças mais ou menos acentuadas quanto a outros aspectos,
notadamente às explicações sobre a origem da Criação e quanto ao
papel que desempenhamos nela, bem como as obrigações dos seguidores
para que fossem considerados bons religiosos.
O aparecimento de uma classe sacerdotal, que se encarregaria da
preservação e divulgação daquelas mensagens, foi algo inevitável e
mesmo necessário para a continuidade da ação religiosa que, na
verdade, corresponde a um processo de educação espiritual de
indivíduos e coletividades, como é igualmente compreensível que, a
fim de fortalecer sua autoridade ante os crentes, fossem aqueles
antigos chefes religiosos, não raro, levados a atribuir à própria
Divindade a autoria de seus textos sagrados, inclusive de suas
informações e prescrições, consideradas, então, como a palavra de
Deus, contendo, portanto, verdades absolutas não passíveis de
revisão ou até mesmo de abandono por se tornarem superadas. Foi
exatamente isso que ocorreu com a Bíblia no âmbito cristão, onde,
apenas em época recente, passou a ser considerada uma obra inspirada
e não um compêndio de conhecimentos sobre astronomia, física e
outras ciências, o que, inclusive, levou Galileu à condenação, por
defender a teoria heliocêntrica no século XVII, e ao severo combate
à teoria da evolução das espécies, de Darwin, no século XIX.
Periodicamente renasceram espíritos missionários no seio das
diferentes escolas de fé, sobretudo para fortalecer a vivência de
suas diretrizes mas também, e dentro do possível, para atualizar
suas práticas e sua estrutura conceitual, adaptando-as às novas
conquistas nas áreas do conhecimento e do relacionamento social,
contribuição esta, aliás, nem sempre aceita pelos líderes
religiosos.
Sem possuir sacerdócio e afirmando, desde o início, seu caráter
evolutivo, isto é, a disposição e a necessidade de incorporar
informações e conceitos novos mediante critérios bem definidos, a
Doutrina Espírita evitou aquela dificuldade, dirigindo-se sempre à
razão, com o emprego da lógica e da observação no estabelecimento de
seus conteúdos.
O progresso científico tornou – e isto se acentua dia-a-dia – cada
vez mais difícil, na verdade impossível, atribuir a origem da vida a
um acidente, um grande acaso, da mesma forma que as modernas
pesquisas no campo da paranormalidade caminham aceleradamente para a
confirmação das ideias espíritas acerca da sobrevivência e da
própria mediunidade, que se tornarão assim “crença comum por estarem
em a Natureza” (“O Livro dos Espíritos”, questão 798).
Os antigos sistemas de crença não mais conseguem atender à
crescente expectativa de coerência e solidez dos conceitos
religiosos, carência esta que deles afasta muitas pessoas, mas que,
com suas formulações simples e seu apelo à autoridade de algum texto
sagrado, prosseguem satisfazendo ainda a um contingente numeroso,
sendo por isso úteis e respeitáveis.
“O
Céu e o Inferno” (Primeira Parte, capítulo 1, item 13)
*Fonte: SEI –
n°
2142 – Federação Espírita do Estado de Sergipe – Fone: 3249-2896 –
Site:
www.fees.org.br - E-mail:
fees@infonet.com.br
Coluna no Jornal CINFORM - Ano XXV - Edição 1368 - 29 de junho a 04
de julho de 2009